Sobre
O que é o LACC - Laboratório de Cidade e do Contemporâneo?
Vinculado à área de Antropologia Social, por vias do ICS - Instituto de Ciências Sociais e do PPGAS - Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, o LACC - Laboratório de Cidade e do Contemporâneo dedica-se a investigar as dinâmicas urbanas contemporâneas, articulando os referenciais teóricos da Antropologia com os estudos críticos sobre a cidade e a contemporaneidade. Partindo do entendimento de que o urbano é um campo relacional onde se entrelaçam processos materiais, simbólicos e políticos, o grupo estrutura suas pesquisas em três linhas interligadas, que exploram desde as sociabilidades cotidianas até as macroestruturas que moldam a vida nas metrópoles.
Linhas de Pesquisa
1. Espaço e Sociabilidades Urbanas
Investiga as formas de interação, expressão e conflito que constituem o tecido social das cidades, com foco em:
Eventos festivos de massa e expressões artísticas: Carnavais, festivais, ocupações culturais e performances urbanas como espaços de negociação de identidades, resistência e produção de sentido coletivo.
Práticas coletivas, religiosas e profanas: Rituais públicos, procissões, saraus e ocupações temporárias que redefinem o uso do espaço e criam novas formas de pertencimento.
Urbanismo e ação coletiva: Movimentos sociais, práticas de urbanismo tático e intervenções artísticas que questionam modelos hegemônicos de planejamento, destacando a criatividade como motor de transformação urbana.
Alguns dos nossos referenciais teóricos: Dialoga com Henri Lefebvre (direito à cidade), Michel de Certeau (práticas do cotidiano) e Erving Goffman (interação social), além de estudos sobre festividades como espaços de transgressão (Victor Turner) e arte como prática política (Néstor García Canclini).
2. Patrimônio, Memória e Políticas Públicas
Analisa as disputas em torno da construção de narrativas sobre o passado e o futuro das cidades, com ênfase em:
Processos de patrimonialização: Conflitos entre agentes públicos, comunidades e mercados na preservação ou apagamento de marcos históricos e culturais.
Memória social e espaços museais: Museus, centros culturais e monumentos como dispositivos de poder que articulam discursos oficiais e contra-narrativas marginalizadas.
Culturas populares na contemporaneidade: Tradições reinventadas (como cordel, quadrilhas juninas e outros folguedos) em diálogo com dinâmicas globais, digitais e urbanas. A ressignificação de tradições locais através da cultura pop
Políticas de desenvolvimento e práticas culturais: Impacto de programas públicos na manutenção ou erosão de práticas locais, especialmente em contextos de gentrificação e turistificação.
Alguns dos nossos referenciais teóricos: Apoia-se em Pierre Nora (lugares de memória), Andreas Huyssen (cultura da memória), Stuart Hall (identidades e políticas de representação cultural). e debates sobre patrimônio imaterial (UNESCO), além de estudos decoloniais que questionam hierarquias culturais (Boaventura de Sousa Santos; Arjun Appadurai).
3. Natureza, Cultura Material, Sistemas de Produção e Consumo
Explora as relações entre ambiente, tecnologia e economia na configuração das cidades, abordando:
Recursos naturais e seus usos sociais: Conflitos socioambientais, a extração de bens naturais comomadeira, barro e algodão na produção de artesanato.
Circuitos artesanais de produção e consumo: Feiras livres, mercados informais e economias criativas como espaços de resistência à padronização capitalista, técncias e processos de produçãode artesanato e bens artísticos vinculados à economia criativa.
Sociabilidades no consumo de bens e serviços: Plataformas digitais, modos de vida "slow" e coletivos de consumo sustentável que redefinem práticas urbanas. Plataformas de streaming (Netflix, Spotify), Cultura Pop e Culturas do entretenimento e seus impactos nos hábitos urbanos.
Cultura material e infraestruturas: Objetos cotidianos como mediadores de relações sociais e políticas.
Alguns dos nossos referenciais teóricos: Incorpora Tim Ingold (percepção ambiental), Jane Bennett (vibração da matéria), e teorias sobre economia moral (James C. Scott) e antropologia do consumo (Daniel Miller), Arjun Appadurai (circuitos culturais globais e antropologia dos objetos), Jean Baudrillard (sociedade de consumo e simulacros).
Abordagem Metodológica
O LACC prioriza a etnografia multissituada, combinando observação participante, mapeamentos afetivos, registros audiovisuais e análise de redes sociais para capturar a complexidade das dinâmicas urbanas. Além disso, integra métodos participativos, como oficinas colaborativas e intervenções públicas, para engajar comunidades nos processos de pesquisa. A interdisciplinaridade é central, estabelecendo diálogos com a Geografia Humana (estudos sobre espaço e poder), a Sociologia Urbana (crítica às desigualdades) e os Estudos Culturais (análise de práticas simbólicas).
Relevância e Compromisso Social
Em um cenário de crises ecológicas, polarizações políticas e acelerada transformação digital, o LACC posiciona-se como um espaço crítico para:
Desvelar assimetrias: Como políticas de planejamento e dinâmicas de mercado aprofundam segregações urbanas.
Amplificar vozes marginalizadas: Dar visibilidade a práticas culturais, econômicas e religiosas muitas vezes invisibilizadas pelos discursos oficiais.
Propor alternativas: Articular saberes acadêmicos e comunitários para pensar cidades mais inclusivas, sustentáveis e poeticamente habitáveis.
Ao integrar rigor analítico e engajamento ético, o LACC reafirma o papel da Antropologia não apenas como disciplina interpretativa, mas como ferramenta de transformação do contemporâneo.
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